Ontem, comemoramos o dia internacional da mulher (ops)! Não
sei se há muito que ser comemorado.
Algumas das batalhas estão longe de serem vencidas; quer um
exemplo? A mutilação genital realizada em algumas tribos africanas, apesar de
proibida há aproximadamente três anos, ainda faz suas vítimas. Meninas são
submetidas à extirpação do clitóris e tem suas vaginas costuradas; para que não
sintam prazer, deem mais prazer ao marido, e finalmente, não coloquem em risco
o casamento.
No mundo inteiro milhares de mulheres ainda sofrem com a
violência doméstica. A violência pode ser física, sexual ou psicológica; e
muitas mulheres deixam de denunciar seus agressores por medo, ou simplesmente,
por não terem uma rede de apoio adequada.
Num mundo moderno, as mulheres ainda são vistas como objetos
sexuais; taxadas e rotuladas como “oferecidas ou disponíveis” para o estupro
pelo modo como se vestem.
Para as outras, agraciadas pela providência divina, que
tiveram a oportunidade de estudar, trabalhar, se casar e constituir família;
ainda restam os menores salários para os mesmos cargos ocupados por homens; a
jornada dupla de trabalho (porque na maioria dos casos, serviço de casa é
serviço de mulher) e, finalmente, a árdua tarefa de criar e educar os filhos...
Feminista este texto? Na verdade não! Esses são apenas
alguns exemplos de um mundo que ainda necessita de mudanças, e rápido.
Há todo um contexto cultural envolvido, e infelizmente, a
cultura é algo moroso para ser alterado. Mas você já se perguntou o quanto
colabora para a manutenção dessa realidade?
A cada vez que você diz que brincar de bonecas não é
brincadeira para menino, ou que você exige que sua filha lhe ajude nos afazeres
domésticos, enquanto seu filho da mesma idade continua a brincar com o viodeogame;
você está, até certo ponto, colaborando para uma cultura sexista.
Penso que a mudança cultural de que precisamos, começa
dentro de casa, quando educamos nossos filhos. O filho que nunca teve que fazer
nenhum serviço doméstico, que foi incentivado na adolescência a “pegar” todas
as menininhas que pudesse; certamente se tornará o marido que não queremos para
nossas filhas.
É claro que, somente isso, não resolverá todos os problemas
do mundo, não sou tola a esse ponto; mas se queremos mudanças, teremos de
começar por nós mesmas; na forma como nos posicionamos e educamos nossos filhos.
A mudança pode estar em nossas mãos, afinal somos nós que educamos os homens
que fazem a nossa história.

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