quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ô, bicho estranho é o ser humano...

      Hoje vi algumas fotos de um ensaio de homens e mulheres que se submeteram a grandes transformações através da cirurgia plástica. O texto dizia sobre o quanto essas pessoas haviam sido modificadas pelo excesso das cirurgias, e ainda continha o seguinte comentário: a falta de autoestima faria com que essas pessoas se modificassem a ponto de não parecerem em nada o que já foram.

        Logo abaixo do texto, havia outro comentário - com mais de mil “curtidas” - “o que mais me dá medo é olhar esses rostos e perceber que eles são todos iguais”.

        A questão me parece muito mais complexa que isso; responsabilizar apenas o indivíduo ou sua falta de autoestima é pensar de forma muito simplista.

        Sei que vou chover no molhado, mas enfim...

       Vivemos um tempo de ditaduras; da beleza, da saúde física, mental, da busca pelo sucesso profissional, da realização pessoal... Há sempre uma “receita de bolo” para ter isso ou aquilo, aqueles que fogem a quaisquer padrões impostos socialmente são vistos como fora da faixa estreita da “normalidade”; vivemos um tempo de aparências e rótulos, de uso e consumo. Mas também, é uma sociedade que prega de modo implícito o individualismo, a competição, a diferenciação da massa.              

      É exatamente isso! Procuramos igualdade, queremos nos assemelhar àquilo que a sociedade prega como padrão. Individualmente sentimos que não é possível modificar as demandas, mas desejamos ardentemente o pertencimento. E em outro momento, essa padronização e uniformidade absurda que buscamos nos assustam, porque também precisamos ser especiais, diferentes. Eis aí o grande conflito: como ser “uno” numa sociedade que busca o homogêneo, mas só reconhece, engrandece ou enaltece o especial?

     Penso que essas pessoas são a materialização desse conflito... E talvez, o fotógrafo, autor do comentário do início do texto, em parte tenha razão, talvez falte um pouco de autoestima; não do indivíduo por si mesmo, mas da sociedade para com os seres humanos, na sua complexidade, nas semelhanças e nas diferenças – se é que você me entende!