Ô, bicho estranho é o ser humano...
Hoje vi
algumas fotos de um ensaio de homens e mulheres que se submeteram a grandes
transformações através da cirurgia plástica. O texto dizia sobre o quanto essas
pessoas haviam sido modificadas pelo excesso das cirurgias, e ainda continha o
seguinte comentário: a falta de autoestima faria com que essas pessoas se
modificassem a ponto de não parecerem em nada o que já foram.
Logo abaixo
do texto, havia outro comentário - com mais de mil “curtidas” - “o que mais me
dá medo é olhar esses rostos e perceber que eles são todos iguais”.
A questão me
parece muito mais complexa que isso; responsabilizar apenas o indivíduo ou sua
falta de autoestima é pensar de forma muito simplista.
Sei que vou
chover no molhado, mas enfim...
Vivemos um
tempo de ditaduras; da beleza, da saúde física, mental, da busca pelo sucesso
profissional, da realização pessoal... Há sempre uma “receita de bolo” para ter
isso ou aquilo, aqueles que fogem a quaisquer padrões impostos socialmente são
vistos como fora da faixa estreita da “normalidade”; vivemos um tempo de
aparências e rótulos, de uso e consumo. Mas também, é uma sociedade que prega
de modo implícito o individualismo, a competição, a diferenciação da massa.
É
exatamente isso! Procuramos igualdade, queremos nos assemelhar àquilo que a
sociedade prega como padrão. Individualmente sentimos que não é possível
modificar as demandas, mas desejamos ardentemente o pertencimento. E em outro
momento, essa padronização e uniformidade absurda que buscamos nos assustam,
porque também precisamos ser especiais, diferentes. Eis aí o grande conflito:
como ser “uno” numa sociedade que busca o homogêneo, mas só reconhece,
engrandece ou enaltece o especial?
Penso que
essas pessoas são a materialização desse conflito... E talvez, o fotógrafo,
autor do comentário do início do texto, em parte tenha razão, talvez falte um
pouco de autoestima; não do indivíduo por si mesmo, mas da sociedade para com
os seres humanos, na sua complexidade, nas semelhanças e nas diferenças – se é
que você me entende!